Malditas as histórias sem fim, os personagens que correm, lutam, apanham, sobem, descem - um bom verbo em inglês, strugle - e retornam aonde começaram. "Pergunte ao Pó" e "Sonhos de Bunker Hill" são duas obras de John Fante com o mesmo anti-herói, um jovem fodido de grana, aspirante a escritor, com médio talento e total falta de noção. É uma auto-imagem do autor, que vaga entre o acolhimento sem perspectivas do interior e a próspera indiferença das cidades, entre a religião, que acalma enquanto oprime, e a liberdade, de satisfações e descaminhos.
O personagem, pobre infeliz que revive as experiências de Fante, é Arturo Bandini. Enquanto leio, apronta as maiores imbecilidades. Ele não tem nada a ver comigo, mas me envolvo cada vez mais, destilando de cada situação um significado escondido, o medo e a incerteza que, no final das contas, norteiam a vida de qualquer um.
Não existe moral da história. Já acabou o tempo dessa literatura. A história agora é amoral, imoral, sem final. Cabe a nós pontuá-la com um pensamento ou o esquecimento.
Malditas as histórias sem fim, os finais sem resposta, os personagens que nada aprendem para que aprendamos nós.
terça-feira, 29 de abril de 2008
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