quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sicko - SOS Saúde

O último filme de Michael Moore não levou o Oscar. Não assistí aos outros documentários concorrentes, mas notei um senso geral entre alguns críticos que descategorizaram Moore como "não exatamente a pessoa mais comprometida com a verdade". Bom pra ele.

Não vivemos exatamente em uma sociedade lá muito compatível com a verdade. A verdade que pensamos, consumimos e reproduzimos é um misto de mensagens que são empacotadas e vendidas como tal. Podem sê-la - verdade - ou não.

Michael Moore domina técnicas de cinema. Eu não. Mas assisto a bastantes filmes e posso dizer quando estou envolvido pela trama, quando ela enfraquece, quando há um salto de roteiro. Há algum tempo também percebo quando uma idéia esgueira-se das imagens, textos, trilhas e sons para dentro da minha mente, com a intenção de vender-me uma opinião formatada. Michael Moore o faz como ninguém. E se esse é o principal ponto da crítica contra ele, eu me pergunto "e daí?".

Vender idéias e opiniões, mesmo no cinema, é fazer publicidade. Essa técnica eu domino. Também a domina toda e qualquer corporação citada ou não por Michael Moore em seus filmes esquerdistas. Após anos de utilização desta técnica, as grandes empresas se tornaram a principal entidade regente do planeta Terra. Bush? Não. Nada se faz sem o aval da GM, Monsanto, Google, Blue Cross.

Michael Moore é opositor a estas entidades, modelo de grande empresa (gigantes não sócio-responsáveis devoradoras de lucro), e utiliza no combate as mesmas armas do adversário. A coerção pela emoção, o sentimento de injustiça, identificação de classes, e até mesmo a criação e registro de situações são recursos audiovisuais, tenha este duas horas ou 30 segundos. Não era por acaso que havia um helicóptero acompanhando os doentes americanos para receber tratamento na ilha de Cuba, mas qual a diferença entre esta cena e os bem sucedidos Reality Shows do People & Arts? Friso Reality.

O diretor defende sua visão reunindo uma quantidade de evidências, depoimentos e situações. Empacota tudo isto de um modo que lhe pareça belo e convincente e... vende. É a lei do mercado. É como as coisas são feitas hoje. É publicidade. Proibir a Moore de usar as técnicas das grandes corporações é promover um combate injusto. E o Golias de nosso tempo é milhares de anos maior e mais forte.

Um comentário:

Impressões disse...

entro aqui todos os dias. aguardo atualização.. hehe

ah! ótimo texto! ;)